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10 setembro 2019

Momo eleva a voz no canto sereno do álbum ‘I was told to be quiet’

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“Deixar a dor / É liberdade”, sentencia Momo, através de versos de Thiago Camelo, parceiro do cantor e compositor mineiro na criação do samba Diz a verdade.

Envolto em aura suave que evoca de imediato a bossa e o canto lapidar de João Gilberto (1931 – 2019), Diz a verdade é lindo samba que sobressai de imediato entre as dez músicas autorais de I was told to be quiet, sexto álbum de Momo.

“Estou cheio de vida”, corrobora o cantor em verso da psicodélica Vida (Momo e Wado), outra música deste disco lançado neste mês de setembro no Brasil, nos Estados Unidos e na Itália.

Capa do álbum 'I was told to be quiet' — Foto: Pedro Ivo Euzébio

A rigor, a maturidade existencial alardeada por Momo – nome artístico do compositor Marcelo Frota – em I was told to be quiet é herança do abraço da vida que esse cidadão do mundo sentiu quando, radicado em Portugal, gravou o quinto álbum, Voá (2017), disco luminoso produzido por Marcelo Camelo em Lisboa.

O álbum I was told to be quiet mantém a visão predominantemente solar e o alto nível autoral de Voá, mas em outra frequência musical e poética, com direito a algumas nuvens cinzentas no céu.

O sexto álbum de Momo foi orquestrado em Los Angeles (EUA) com produção musical do norte-americano Tom Biller, credenciado pela engenharia de som de discos de artistas como Kanye West e Fiona Apple.

Momo grava duas canções em francês no sexto álbum, 'I was told to be quiet' — Foto: Amanda Raybaud / Divulgação

Tom Biller formatou I was told to be quiet com a fusão harmoniosa de bossas tropicais com sons do pop indie contemporâneo. Antecipado em junho pelo single Higher ground (Marcelo Frota), esse mix gerou arranjos envolventes que agregam valor ao repertório trilíngue com músicas em português, inglês e francês.

Tem música até em dois idiomas. Outra parceria de Momo com Thiago Camelo, a apaixonante balada bilíngue Marigold plana no espaço entre versos em inglês e português, amparada pelo arranjo que combina bateria, baixo, harmonium e melotron no toque polivalente de Biller.

As chansons francesas Mon neant (Marcelo Frota e Amanda Raybaud Frota) e Mes yeux crevé (Marcelo Frota, Amanda Raybaud Frota e Ana Lomelino) também se beneficiam da elegante sonoridade climática do álbum, também construída com os toques recorrentes dos músicos Marco Benevento (melotron, piano e synths) e Régis Damasceno (baixo).

Momo evoca a bossa de João Gilberto no samba 'Diz a verdade', destaque do repertório — Foto: Pedro Ivo Euzébio / Divulgação

Um dos pontos mais altos do disco, Mes yeux crevé exala certa melancolia sonora. Sim, Momo deixa a dor – dominante nos primeiros álbuns do artista – sem se livrar totalmente do sofrimento no abraço da vida em Los Angeles (EUA).

Com arranjo de crescente e inebriante intensidade, a balada Stupid lullaby (Marcelo Frota) também se eleva entre o cancioneiro do álbum I was told to be quiet, reverberando influências de Leonard Cohen e Tom Waits.

Mas tudo acaba em samba, no tom baixo de Sereno canto (Marcelo Frota e Wado), inventário existencial que compreende os meandros do tempo rei. Momo sabe que não precisa levantar a voz para voar alto. (Cotação: * * * *)

Fonte:G1

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