Notícias / Ações

18 maio 2022

Zé Neto passou vergonha ao citar Anitta e “mamata” em show pago com verba pública

||
0 Comment
|

MNão sei se vocês perceberam, mas entre os pré-candidatos da corrida presidencial de 2022 tem um governante que está engajado até a alma na tarefa de convencer os eleitores a darem a ele o direito de passar mais quatro anos andando de moto, cavalo e jet ski.

A agenda de trabalho do atual presidente é raquítica. A maior parte do tempo é consumida em conversas de cercadinho, viagens para encontro com apoiadores, distribuição de coices e platitudes, provocações estúpidas e justificativas furadas sobre a tragédia de seu governo –atribuída a monstros de mãos visíveis e invisíveis instalados em outros Poderes.

Às vésperas da votação, fará um grande serviço de utilidade pública ao país o estatístico que levantar quantas horas Jair Bolsonaro consumiu, às custas do eleitor e do cartão corporativo, em futricas, picuinhas, brigas intestinas e outras tresloucadas com governos estrangeiros, professores universitários, artistas, vacinas, urnas eletrônicas, radares de velocidade, fiscais do Ibama, horário de verão, tomadas de três pinos e fantasmas da Guerra Fria.

Curioso, desses tempos, é que o presidente que não trabalha e demonstra dificuldade em pronunciar palavras como questão (em seu vocabulário, algo como “cuestão” ou “coestã”) tenha por hábito chamar meio mundo de “vagabundo” e “anfalfabeto”.

O exemplo vem de cima e faz até a companheira descrever em público toda a alegria por caminhar na vida ao lado de seu “rusband”. Ninguém é obrigado a falar inglês fluente, mas a ostentação da ignorância, dessas que precisam ser demonstradas e publicizadas por não caberem em si, já ficou tão escancarada que ninguém se assusta.

À sombra do bolsonarismo, o Brasil do último quadriênio empoderou o sujeito corrupto que luta contra a corrupção, o ignorante que vê burrice em tudo o que não entende, o crítico da mamata civil que recolhe extrapola o teto do funcionalismo com dois salários, o vizinho agressivo indignado com a violência do país, o cristão que não ama o próximo, o fã da polícia que não sobrevive a dez minutos de investigação policial, o sonegador revoltado por (não) pagar impostos, o patriota que bate continência à bandeira americana – e odeia tudo o que é produzido em seu país, inclusive as danças, as cores e os ritmos–, o preguiçoso que vê mamata por todo canto –menos no território corporal instalado logo abaixo do nariz.

|

Deixe um Comentário